
José Teodoro Neto, o nosso poeta
Trecho
do livro "Taboão da Serra na Virada do Milênio"
narrado por Waldemar Gonçalves
Nosso poeta.
Posso dizer assim porque é um dos nossos na poesia e nas artes.
Chegou em Taboão da Serra em outubro de 1964, com a família,
vindo de sua terra natal, Santo Antonio da Platina, Paraná. Casado
com Dona Maria da Silva Teodoro, o casal tem seis filhos e, hoje, treze netos.
De origem humilde, trabalhou na lavoura até fins de 1952 e depois seguiu
sua vocação para o ofício de marceneiro. Deu-se bem e
nessa profissão criou os filhos.
Teodoro Neto, como é conhecido no meio cultural, diz que sempre quer
aprender. O trabalho com a madeira abriu-lhe novos horizontes: a escultura,
a marchetaria, a miniatura, o desenho e a pintura. Tanto que, quando ainda
em marcenaria, em sua cidade (fins de 55 e 56) executou para o grande Colégio
Rio Branco, dois painéis de relevante importância, em madeira,
com entalhes, recortes, baixos-relevos, molduras etc., que ainda estão
no acervo da instituição.
Teodoro é
aposentado do Serviço Público Estadual, onde trabalhou quatorze
anos no Palácio dos Bandeirantes, dez dos quais no Setor de Restauração
de obras de arte em madeira. Em sua casa no Pazini respiramos arte e cultura.
Trabalhos em madeira e quadros a óleo, além de poesias e vários
livros que tem em suas prateleiras. É de se notar as miniaturas esculpidas
em madeira medindo, em média, 6 cm e representando Padre Cícero,
Lampião, Maria Bonita, Luiz Gonzaga, Irmã Dulce e Frei Damião.
Em pintura, a sua tela “O Frade”, que lhe valeu medalha de prata
na II Expo Arte de Taboão,
em setembro de 1991, e o seu auto-retrato de quando comemorou 60 anos. Agora,
em janeiro de 2006, completou 77.
Em marchetaria podemos destacar, principalmente, o retrato da Princesa Diana
e, em miniatura artesanal, um violino de 6 cm que só não tem
som, mas até arco e estojinho completo tem. E muitas fotos dos trabalhos
que ele já executou, por exemplo, o busto de São Francisco de
Assis em tamanho natural, de isopor imitando pedra sobre um pedestal de madeira
oitavado imitando mármore, que ele dôou ao Convento de São
Francisco da capital paulista. O Reverendíssimo Frei Wilson Steiner,
guardião do Convento, com a sua atenção e apreço
às artes, quis a entronização com uma missa solene no
histórico templo franciscano naquele 2/8/1997 e, após a cerimônia,
a escultura foi colocada na capela particular dos frades, onde pode ser vista.
Teodoro diz ter sido uma bênção de Deus. E agradece.
Teodoro Neto é um autodidata. Apreciador do clássico, muito dedicado ao soneto, participou de várias coletâneas de poesia e tem material para dois livros de médio porte a publicar.
No passado, vários
trabalhos seus foram publicados em jornais de Taboão da Serra, nO Pirajuçara,
por exemplo, e, ainda, nA Tribuna da sua cidade natal, até hoje. Teodoro
pertence à Casa do Poeta de São Paulo desde julho de 1970, levado
pela poetisa Venina Franco Ferrari, que ele diz ser a sua madrinha no meio
poético.
Em 1998, nas comemorações dos 50 anos da Casa, ele foi um dos
que recebeu o diploma de Sócio Emérito.
E, para finalizar, alguns trechos do ... NOSSO POETA.
AS MÃOS DA VIOLINISTA
Que graça, o violino nas mimosas
mãos finas, mãos de freira de convento
unindo... escala e arco nas custosas
e deslumbrantes notas do instrumento.
...Os
olhos negros dela, num atento
...soletrar de colcheias caprichosas,
...docemente pairavam no acalanto,
...no aconchego daquelas mãos graciosas.
Só no acorde
final para a assistência
em aplausos, foi quando a vi sorrir
erguendo o violino em reverência,
...Não
aplaudi, e não me recrimino !
...Não fiz barulho por querer ouvir
...naquelas mãos, ainda, o violino.
(Publicado na 4a. Coletânea de Sonetos da Casa do Poeta, 1998, edição
comemorativa dos 50 anos de fundação)
O
NASCER DA FORMA
Certo
escultor, usando o seu saber
dera os toques finais na obra cara.
Exultante, feliz porque chegara
naquilo que previra acontecer.
...Era o belo, o perfeito que a seu ver
...conseguira do bloco de Carrara,
...quando alguém, de repente perguntara:
...- Mestre... Como se pode assim fazer?
Vocação, respondera, e hás de ter
um pouco em tuas mãos das mãos Divinas
e a luz de lá... também te acontecer.
...Aí, tira de um bloco o excesso e então
...o que fica é a forma que imaginas
...e a vitória da tua criação.
(publicado no jornal oficial da Casa do Poeta de São Paulo, o FANAL, número 500)
SER BOM
Quer ter bom descanso
depois do seu dia?
Procure fazer durante ele algum bem,
e então, vai sentir uma paz que alivia
no sono tranqüilo que à noite lhe vem,
...porque a sua mão pôs na mão
que se abria
...um pouco tirado do que você tem,
...no instante talvez que o seu gesto fazia
...voltar o sorriso nos lábios de alguém.
Em dôbro retorna, nos diz a Escritura
a quem de algum jeito ameniza a amargura
da irmã ou do irmão, que nos pede em bom tom,
...e aí, nos lembramos de alguém,
dentre tantos,
...- José Martins Fontes, poeta de Santos
...que tinha por lema... como é bom ser
bom
(soneto publicado na TRIBUNA de Santo Antonio da Pratina, em 21/6/2000)
O NOME JOSÉ
José é
um nome singelo
fácil de ser pronunciado
e até no livro sagrado
vemo-lo também escrito.
Vem dos primórdios da História
De antes mesmo de Moisés,
o primeiro dos "JOSÉS"
que foi o - JOSÉ DO EGITO.
Depois, milênios
talvez
Já no Novo Testamento,
marcando bem esse evento
- SÃO JOSÉ, humilde operário,
e quem sepultou Jesus
foi - JOSÉ DE ARIMATÉIA,
grande senhor
da Judéia,
no seu jazigo mortuário.
Findou-se o Século
XV
nossa História iniciou
e, tão logo nos mostrou
um grande José também,
que foi - JOSÉ DE ANCHIETA
personagem tão marcante,
desde a Bahia distante
às praias de Itanhaém.
Outro, - JOSÉ
BONIFÁCIO
da família dos Andradas,
figura das mais louvadas
Patriarca e precursor,
um líder da Independência
nasceu já um sábio feito.
Foi mesmo o "braço direito"
do primeiro Imperador.
E mais, - JOSÉ
DE ALENCAR
com sua pena sublime,
como poucos bem exprime
na arte da narração,
e um contemporâneo seu
o - JOSÉ DO PATROCÍNIO,
que lutou pelo extermínio
da humilhante escravidão.
E, na História,
muitos outros
"JOSÉS" que... são mesmo tantos,
- quinze, vinte, nei sei quantos
muitos, desconheço até.
Que para saber ao certo
é só mesmo a gente lendo.
- Ah! Já ia me esquecendo
... também me chamo - JOSÉ.
Teodoro Neto (da Casa do Poeta de S.P. e do Club da Poesia de Tatuí)