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O Largo do Taboão se transforma
Remo Prodoskimis, um pesquisador de longa data do passado de nossa cidade, nos conta que foi Antonio Nunes dos Santos que, em meados de 1915, arrematou em hasta pública, por 7 mil réis, toda a área onde hoje se localiza a Vila Santa Luzia. Construiu sua choupana no local onde, posteriormente, se instalaria o Bar do “seo Zéca”, no Largo do Taboão.
Tendo falecido em 1918, vitimado pela “febre espanhola”, a viúva dona Izabel de Morais vendeu as terras a um certo sr. Aristides que, por sua vez, as vendeu, em 1935, à Ordem do Carmo, que delas fez um sítio para descanso dos padres e nelas construiu a primeira Igreja de Santa Terezinha.
Família
Nunes em foto publicada na Gazeta do Taboão em fevereiro de 1992.
Da Família Nunes era Seo Benedito Nunes Viera, o “Nego Nunes”. Era branco, o apelido carinhoso lhe fora dado pelos próprios familiares. Era um grande contador de histórias e o prefeito Andrade, que o conheceu pessoalmente, tinha grande prazer em escutá-lo por horas.
Nas enchentes do Largo do Taboão (de águas puras na época), ele cobrava 200 Réis para atravessar os carros de bois, atendendo, nas chuvas mais graves, cerca de 50 carreiros por dia. Dizia que ganhava um bom dinheiro e rezava para chover forte e sempre.
Com
o Córrego Poá em primeiro plano, o loteamento Jardim Santa Luzia
com o Largo do Taboão ao fundo (foto do acervo do sr. Nelson de Moraes).
O centro de Taboão da Serra fica ao norte da cidade. É solo sagrado e irradiador de história.
As principais hipóteses da origem do nome Taboão, tábua grande, taba indígena, a planta taboa, estavam presentes no local, entroncamento de caminhos naturais desde a época dos bandeirantes.
Nesta
obra de arte, um baixo-relevo do escultor Gildo Zampol, que teve seu atelier
durante décadas às margens do Pirajuçara justamente frente
ao largo que se tornaria o Largo do Taboão, a representação
deste sítio no início do século passado. A obra chama-se
"Nasce uma cidade" e nela estão representados a ceifa da
taboa, um tropeiro, uma venda, a arte da cestaria e, ao fundo, o Morro do
Cristo.
O
primeiros administradores e as pessoas de destaque na fundação
da cidade tinham especial afeto por uma pequena praça beirando o Pirajuçara
que chegou a ter até placa e ajardinamento. Ao fundo o sobrado de Dona
Luzia Hellmaister Jurado. Em poucos anos, contudo, já se deteriora
e nem a placa foi mais localizada.
No Largo do Taboão ficava a venda, a casa e a chácara do sr. José André de Moraes, figura exemplar de pioneiro e patrono da cidade. Na época não existia ainda o conceito de ecologia, e talvez nem precisasse, porque Seo Zeca ganhou de sua esposa, vejam só, uma pitangueira de presente. E esta árvore, transplantada para o outro lado da rodovia ao lado da Igreja, onde permanece até hoje, se tornou o símbolo vivo da cidade.
Testemunha
ocular dos principais fatos de Taboão, a nossa árvore-símbolo
viceja ao lado do futuro Santuário.
É próximo ao Largo que se encontram dois rios, o Poá,
apenas córrego, e o Pirajuçara, este nos servindo de fronteira.
E é por onde passa, barulhenta, desenvolvimentista e inexorável, a Rodovia Régis Bitencourt, a BR-116.
Sagrado sobretudo porque é lá que se encontra a Igreja de Santa Terezinha, centro privilegiado da história familiar, social e artística da cidade, em torno da qual a cidade foi se desenvolvendo, ramificando, provocando e sofrendo os efeitos do progresso.
A
antiga Igreja que assistiu o nascimento da cidade.
O
altar da antiga Igreja, com os anjos e a imagem da padroeira além das
citações bíblicas pintadas na parede.
Foi pela proximidade da Rodovia quando ela foi alargada, que a Igreja foi demolida e uma nova, de arquitetura vanguardista, em forma de arena, foi construída e inaugurada.
Era outubro de 1974.
A mudança não foi do agrado de todos uma vez que o traçado da Rodovia nem foi alterado mas, sem dúvida, o espaço era maior e a vida prosseguiu sem percalços.
Santa
Terezinha no pedestal.
Muita vegetação.
Um bom lugar para um bom
bate-papo.
Arborizada, com uma pequena fonte, era um local de reunião freqüentado até por prefeitos como Oswaldo Cesário de Oliveira, os taxistas da José Soares de Azevedo e outros veteranos da cidade em animados bate-papos. Este ponto de encontro não se repetiu mais apesar da inauguração de outras praças até melhor equipadas como a Nicola Viviléchio ou a Luiz Gonzaga.
Mas a cidade crescia e, intempestivamente, as máquinas da Prefeitura, um belo dia de julho de 1995, derrubaram a pracinha num gesto que, embora bem acolhido pela extensa população católica, deixou muita gente triste mas ciente de que Taboão, em seu modelo de desenvolvimento, se espelharia na afobada e prepotente megalópolis paulistana deixando para trás as interioranas Embu ou Itapecerica, com seu ritmo menos atazanado e maior participação popular.
(foto
do arquivo da Gazeta do Taboão)
Durante quase muitos anos a antiga praça se tornou um estacionamento pago – o Estacionamento Santa Terezinha. Esse período preparou os espíritos para mais uma transformação radical, o início da construção do Santuário, obra monumental que se tornará, novamente, um ponto de referência para quem chega na cidade.
Nossa Santa, vencendo os percalços e as intempéries, continua a velar por nós.
Saiba da história completa do Santurário e todos os sacerdotes que passaram por ele contada pelo próprio Monsenhor Aguinaldo acessando http://www.santuariosantaterezinha.org.br/hist_santuario.asp

Na decoração de Corpus Christi, a saudação ao
novo Santuário.


À espera.
Panfleto
do Santuário
Ainda falando sobre o Largo do Taboão, vemos como a ttecnologia está
fortemente presente nos novos tempos. Além dos vastos (e minúsculos)
estacionamentos, a moderna torre da linha de alta tensão e os avisos
de que estamos sendo filmados (área monitorada 24 horas por câmaras
- mas sem esclarecer se devemos sorrir).
As torres metálicas antigas agora convivem com
duas modernas de concreto aparente da mais moderna tecnologia
Pontos de ônibus novos
O prefeito Evilásio
talvez passe à história pelos maravilhosos abrigos de ônibus
que inaugurou às margens da Régis Bitencourt quando reorganizou
o tráfego na região central da cidade e nas vias principais
de diversos bairros do município.
Compondo e seguindo o modelo do Sistema Metropolitano de Transportes Urbanos,
da EMTU, esses abrigos são em cimento aparente e têm iluminação
embutida o que reduz o problema de vandalismo.

Bem sinalizados e confortáveis, alguns deles receberam um mapa aéreo da cidade onde estão assinalados os pontos de acesso dos circulares municipais. Mas, como se vê pela foto, a depredação já começou.
Novo Museu de História Natural
Em 12 de outrubro de 2006 foi inaugurado o pequeno mas vibrante “Museu da Natureza” do Parque das Hortênsias. Com seus 50 animais empalhados ou em esqueleto, uma seção de fetos animais conservados em formol e um lago com peixinhos vivos, tem o objetivo de ser um espaço didático e estimulador da preservação dos animais.
O atual diretor do Parque é o sr. Ricardo Andrade, filho do prefeito que o construiu, Armando Andrade.
(veja mais sobre o Parque clicando aqui)
O leão Greg, o pioneiro do minizoo do Parque das Hortênsias morreu em 2003. Viveu 23 anos numa pequena jaula onde andava de um lado para outro plácido dentro da sua reclusão. Ganhou até uma companheira, mas não mais espaço para esticar as pernas ou tomar sol como os outros grandes felinos do Parque mereceram.
Depois vieram algumas encrencas com o IBAMA, pouco divulgadas e logo resolvidas, que resultaram numa forte expansão do habitat do nosso rei dos animais. Seus sucessores já gozam de um espaço extra-jaula duas vezes maior como mostram a foto.

Greg morreu três anos atrás mas seus esqueleto imponente ficou no “Museu da Natureza” onde, pelo seu porte, algumas crianças o confundem com um dinossauro. De certa maneira é.
A nova estátua da cidade
A nossa praça central ganhou uma nova escultura. De repente. como tem se tornado rotina na nossa vida cultural neste ano que passou. Classificada como “a primeira obra de arte pública” da cidade, foi inaugurada com pompa, autoridades presentes, autor emocionado narrando as peripécias da instalação, exposição de fotos no Acervo Municipal, reportagem na TV.

Causou espanto ao editor do TOL essa expressão “primeira obra de arte pública”. É como se aqueles que a conceberam governassem a cidade de costas para a praça em frente. Nela estão diversas obras de arte públicas, o Monumento à Bíblia, o Monumento a D. Pedro, o Monumento do Rotary, o Monumento Comemorativo da Chegada dos Japoneses! Isto sem contar com a própria Fonte Luminosa que ali jaz, seca, desprezada, como comentaremos abaixo.
Além disso, a estátua do Cristo Redentor do Morro do Cristo substituída meses antes também repentina e inadvertidamente, é uma obra de arte pública da melhor qualidade, plantada no local (de onde foi demolida) pelos pioneiros da cidade na época da sua fundação!
Conversei com algumas pessoas que fizeram boas referências do sr. Joilson, ao que parece é uma pessoa querida na cidade. Mas ninguém soube me dizer o que significa o cargo que ele ocupa na Diretoria de Cultura, o de Diretor de Formação Cultural.
Bem, quando se quer saber algo é bom perguntar e procurarmos o sr. Joilson para que nos desse alguma informação esclarecedora.
(Clique aqui para ler trecho do e-mail enviado ao sr. Joilson)
Apesar de responder por e-mail que responderia, não obtivemos resposta.
No geral, parece que, ao tomarem as atitudes que tomaram, nossas autoridades não reverenciam nem a História Oficial gerada pela própria Prefeitura nem as memórias dos pioneiros, todas registradas em livros, jornais, filmes, sites de cuja consulta naturalmente nasceria a certeza de que Taboão da Serra tem sim uma série de marcos históricos que são obras de arte públicas e que caberia sim à Prefeitura conservá-los e preservá-los como registro vivo de nossa cultura e cidadania.
(clique aqui para ler a crônica sobre a invisibilidade de nossos personagens históricos)
Bem, agora temos uma nova estátua na paisagem da cidade. Chama-se “O Bailado da Cooperação” e está instalada no jardim do CEMUR. Seu autor é Joilson Pires, que além de escultor é Diretor de Formação Cultural da Divisão de Cultura da PMTS. Ele havia sido consultado anteriormente pela sua superiora sobre esculpir a estátua que substituiria o nosso Cristo Redentor. Declinou. Diz que a obra atual “O Bailado da Cooperação” representa um sonho de 25 anos. São as informações de que dispomos.
Armando Andrade que fez agora escreve a história de Taboão
Tem sido muito prazeroso ler a história da cidade contada pelo prefeito Armando Andrade em nova coluna na Gazeta do Taboão. Com sua memória privilegiada e tendo participado como prefeito, vereador, empresário ou advogado de praticamente todos os eventos sobre os quais escreve, o autor nos conduz a uma viagem pelo passado da cidade da qual não poderemos retornar sem sentir um certo orgulho pela terra onde moramos e muitos de nós nascemos.

Detalhe da história em quadrinhos sobre a obras do prefeito Armando
Andrade criadas por mim e ainda inéditas.
Cartão postal seco e o efeito estufa
A fonte da Praça
Nicola Viviléchio continua seca. Mesmo assim continua sendo chamada
de cartão postal da cidade. Participa até de uma enquete para
escolher o melhor cartão postal de Taboão na opinião
dos internautas.
Parada há anos, dizem que foi aventada sua demolição
para dar lugar a um estacionamento. Nesta época em que “de repente”
se derruba qualquer coisa, ficamos com medo de que algo acontecesse com a
fonte.

Claro que ainda há esse perigo porque, mesmo vendo pelo lado da saúde pública (uma fonte funcionando na beira da grande rodovia e num lugar altamente poluído como nossa praça central ajudaria a preservar a saúde da população, umidificando o ar, o que não parece ser a preocupação central de nossos médicos-prefeitos), aparentemente há uma certa animosidade com a idéia de consertar esse patrimônio da cidade.
Mas, como a resposta foi encerrada com a afirmação de que uma parceria público-privada poderia fazer a nossa fonte renascer, vamos conjecturar que, nas imediações da nossa praça central, existem uma série de instituições que poderiam se interessar em patrocinar o conserto, afixando uma placa que alardeasse seu espírito ecológico. (Embora duas delas tenham livrado a paisagem de três frondosas árvores nesta passagem de ano ali mesmo na região)


É um pequeno jardim na ilha do ponto de ônibus, mas é
bonito e bem conservado e lá está a placa do patrocinador, uma
beleza!
(Em 2005, na coluna “Em Off” d’O Taboanense, se dizia que
a administração estava quase fechando uma parceria nesse sentido.
Nada se concluiu, mesmo porque de uma coluna com este nome não se pode
esperar que revele sua fonte – perdoem-me o trocadilho.)
Mas, se o Sr. Prefeito teve a disposição política de tentar em 2005, porque não continuar agora? Creio que bastaria o nosso Prefeito dar meia dúzia de telefonemas, prescrevendo com energia e convicção a utilidade pública dessa medida, e teríamos uma grande empresa, ou uma média, ou um pool delas, interessadas em nos prestar esse serviço. Quem sabe ela pudesse voltar a ser luminosa e sonora como era quando foi inaugurada.
Porque, não se iludam, se um dia chegarmos a ter um “apagão” de oxigênio, será tarde demais.
Geoprocessamento
Silas Manoel de Oliveira, um entusiasta da idéia, me disse que o geoprocessamento já é uma realidade em Taboão. A empresa que faz o levantamento já está contratada e fez o trabalho preliminar disponibilizando as fotos para as secretarias de governo.
Geoprocessamento é o monitoramento em tempo real de tudo que acontece na cidade através de imagens de alta definição geradas por satélite. Por exemplo, o grande mapa de TS dos novos pontos de ônibus foi provavelmente impresso a partir desse sistema.
Mas a utilidade é bem maior do que essa. A Secretaria Municipal de Transportes poderia usar o geoprocessamento para, quando engarrafa o trânsito no Largo do Taboão, o que sempre acontece, ver rotas alternativas e colocar os marronzinhos de sobre aviso para orientar os motoristas, aliviando o problema. Acidentes graves de trânsito poderiam ser assistidos e feridos resgatados com prontidão usando o sistema.
Ocupação do solo, densidade urbana, zonas de risco em caso de enchentes e desabamento são outros assuntos nos quais poder-se-ia aplicar as bases de dados.
O grande problema reside precisamente nessa base de dados. Muito além das fotos, o sistema exige um cadastro de informações detalhadas sobre cada bairro e residência do território da cidade. Silas diz que esse é um trabalho que fornece ferramentas de gestão importantíssima aos administradores e aos próprios munícipes porque podem orientar políticas e obras públicas com maior alcance e benefício.
E tem o aspecto da frente de trabalho que se abre para os recenseadores do Geoprocessamento, as pessoas que irão levantar os dados estatísticos que complementam o banco de dados do sistema. O que, por si só, já estaria combatendo o desemprego.
Não foram feitos nem foram pedidos comentários sobre a questão da privacidade dos munícipes frente ao olhar eletrônico do satélite.
Parque
Assunção em ilustração que fiz, anos atrás,
para a Gazeta do Taboão
Taboão é composto de loteamentos, mais de cem na verdade. Por isso corretores de imóveis, construtores e incorporadores são muito populares e acabam detendo uma grande parcela de poder político nas mãos. Por isso também a questão de nossas fronteiras sempre foi solenemente ignorada.
Hoje se diz que o solo de Taboão já está totalmente ocupado, agora só dá para crescer para cima ou derrubar o que existe para construir novas coisas. A foto por satélite que podemos ver nos pontos de ônibus na área central atestam isso. Por certo o pessoal do Programa de Aceleração do Crescimento lá em Brasília não consultaram o geoprocessamento quando tiveram a brilhante e devastadora idéia de propor um aeroporto internacional para a divisa de Taboão com Embu.
O McDonald’s foi embora
Eram outros tempos. Em
1994 Taboão estava emergindo para um nível de consumo capaz
de atrair investimento de cadeias de franquia altamente profissionalizadas.
O prefeito da época classificada essa fase de “boom” econômico.
O McDonald’s, que aportara no Brasil em 1979, chegou à cidade
vindo se estabelecer num ponto de movimento intenso tanto de pessoas como
de veículos, na Rua do Tesouro, a nossa “rua dos bancos”,
na altura da Praça Nicola Viviléchio. Dotada de drive thru que
permitia o consumo sem sair do carro, chegou a ter um mini-parquinho no seu
salão de festas de aniversário.

Com a chegada do Super e Hipermercados e a mudança de hábitos forçada pelo aumento da insegurança, o fluxo de clientes se alterou, tornando provavelmente o negócio não tão lucrativo. A placa diz que está em reforma. Mas muitos dizem que não volta mais.
Os sabiás estão de volta

Os sabiás estão de volta. Vi um deles na escadaria do CEMUR num dia de dezembro. Os sabiás-laranjeira haviam sido declarados extintos na capital paulista, cidade da qual eram emblemáticos. Lá houve um esforço consciente de trazê-los de volta proibindo a caça, plantando árvores e outras medidas de preservação. E eles estão de volta.
Aqui no Taboão, apesar do desmatamento, redução das árvores e parcos cuidados oficiais com a Natureza fora do Parque das Hortênsias, já podemos ouvir o canto dos sabiás competindo e, às vezes, substituindo os bentevis.
(Ligue o som e clique aqui para ouvir o canto do sabiá 1)
(Clique aqui para ouvir o canto do sabiá 2)
Currículo
do Sabiá-laranjeira extraído do site de Maurício
Picarelli, deputado estadual sem partido de Mato Grosso do Sul que, por sua
vez, cita a Revista Mackenzie:
”Em 5 de outubro, Dia da Ave, comemora-se também o dia de uma
criaturinha de temperamento dócil, que canta e inspira – o sabiá
laranjeira (Turdus rufiventris), pássaro brasileiro, escolhido para
ser a ave-símbolo do Brasil.
Imortalizado
na “Canção do Exílio”, de Gonçalves
Dias, o sabiá-laranjeira juntou-se oficialmente aos outros quatro símbolos
nacionais – a bandeira, o hino, o brasão de armas e o selo, tendo
a mesma importância deles na representação do Brasil em
3 de outubro de 2002, por decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O sabiá-laranjeira
mede cerca de 25 centímetros, tem plumagem parda, com exceção
da região do ventre, destacada pela cor vermelho-ferrugem, levemente
alaranjada, e bico amarelo-escuro. No reino de "sua majestade, o sabiá",
machos e fêmeas não apresentam diferenças aparentes e
ambos têm a incumbência de construir o ninho.
O sabiá, que pode viver entre 25 e 30 anos, migra para regiões
mais quentes no inverno, voltando para o ponto de partida sempre que o calor
o convida. Segundo o ornitólogo Johan Dalgas Frisch, são 12
as espécies de sabiás no Brasil, sendo que o pássaro
assume outras denominações em regiões diferentes. Assim,
ele tanto pode ser caraxué (AM), sabiá-coca (BA), sabiá-laranja
(RS) e ainda sabiá-de-barriga-vermelha, sabiá-ponga e sabiá-piranga
em lugares diferentes.
De hábitos simples, o pássaro não faz cerimônia
para comer: ‘O sabiá-laranjeira tem alimentação
mista – tanto consome vermes e insetos nos bosques e florestas, quanto
pode ser encontrado nos quintais, nutrindo-se de pequenos frutos. Aprecia
também minhocas – tem um tino incrível para localiza-las
– e, como sobremesa, gosta de pitangas, frutos da aroeira, palmito doce,
bananeira, figueira, amoreira, mamoeiro, goiabeira, cajueiro, ameixa-amarela,
sementes de magnólia e laranja, cuja casca perfura para atingir a polpa
açucarada’, revela o pesquisador.
O pássaro, que no Nordeste é tratado como ‘a sabiá’,
foi escolhido entre quase 2.000 espécies, causando divisão na
preferência dos ornitólogos. Alguns achavam que a ararajuba deveria
representar o país, pela coloração verde e amarelo, identificada
com as cores do Brasil; outros foram cabos eleitorais do tucano, devido à
associação que a ave tem com os trópicos; outros ainda
queriam um pássaro de canto mais raro.
‘Não é só beleza, ou só trinado mais harmonioso
que conta para ser ave-símbolo de um país’, afirma Dalgas.
‘É preciso fazer parte da cultura, do folclore, ter presença
na literatura, na poesia, na música e viver perto das pessoas. O coleira-da-serra-do-mar
canta melhor que o sabiá-laranjeira. Todavia, o sabiá se aproxima
das pessoas, é um companheiro do homem que vive no campo ou na cidade.
Não adianta uma ave-nacional com a qual o povo não tem contato’,
avalia o ornitólogo.
E prossegue na defesa do canto do seu preferido: ‘O sabiá tem
a qualidade do som. Não existem, dois sabiás com a mesma música.
O som dele é mais auditivo ao homem, está dentro da faixa auditiva
mais agradável. Na primavera, é o primeiro canto que se ouve,
antes mesmo de clarear o dia.’ ”
E, é claro, não podemos esquecer da música de Tom Jobim
e Chico Buarque, de 1968, “O Sabiá”.
-
