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Crônicas


Amélia Pasqual Marques

Fisioterapeuta

Vida acadêmica
Natural de Foios, Portugal, quando Amélia decidiu fazer o curso de Fisioterapia no início da década de 70, não sabia direito o que vinha a ser aquilo. Mas tinha um ideal: trabalhar na área da saúde.

Aprovada, pertenceu à primeira turma do primeiro vestibular do curso de Fisioterapia da USP (que existia desde 1951, mas só foi reconhecido como de nível superior em 69), teve aulas com o prof. Eugênio Lopes Sanchez, um referencial acadêmico. Aprendeu muito com ele mas também foram autodidatas pois havia tudo por fazer, construir o conhecimento, analisar e incorporar experiências, aplicar as teorias.

Da grade curricular composta por poucas disciplinas, a estudante iniciou logo no primeiro ano o seu programa de estágio. Em 74, formada, foi trabalhar no Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas e começou a supervisionar o estágio de alunos da Fisioterapia da USP em Reumatologia.

De aluna a professora
Em 84 torna-se professora da USP no Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina.

Nessa época já entendia o papel da Fisioterapia em sua vida: "encantei-me com a possibilidade de contribuir para a qualidade de vida das pessoas por meio de recursos terapêuticos".
Sempre se mantém atualizada com relação às discussões sobre os rumos da profissão.

Participou das Associações Paulista e Brasileira de Fisioterapia e atualmente faz parte do Crefito - 3 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional).

Aumentam os cursos pelo país
Foi presidente da Comissão de Especialistas de Ensino de Fisioterapia do MEC participando dos processos de reconhecimento e autorização de cursos de Fisioterapia no país, que hoje chegam ao número de 400.

Livros
Escreveu "Manual de Goniometria" (1997) e "Cadeias Musculares: Programa para Ensinar Avaliação Fisioterapeutica Global" (2000) para a Ed. Manole e é editora da Revista de Fisioterapia da USP.

Concluiu mestrado (Universidade Federal de SP), doutorado (Instit. de Psicologia de USP) e fez livre docência na FMUSP. É orientadora de pós-graduação da Faculdade de Medicina em Fisiopatologia Experimental e Ciências da Reabilitação.

"A Fisioterapia é uma ciência que estuda o movimento em toda sua dimensão e colabora muito para que as pessoas tenham uma intervenção terapêutica eficiente no combate à dor. E, sem dor, com certeza, as pessoas têm uma qualidade de vida bem melhor", afirma Amélia.

Um dos mais disputados vestibulares
Depois de invadir as academias, os herdeiros da geração saúde começaram a tomar de assalto também as universidades. No vestibular da Fuvest de 2000 ultrapassou os tradicionais cursos de medicina, jornalismo e publicidade com 92 candidatos por vaga disputando as 25 existentes na Fisioterapia da USP.

Mercado de trabalho cresceu muito
Este “boom” no vestibular é reflexo de uma ampliação do mercado de trabalho ao longo dos cinco últimos anos do último século. Além de novas áreas de atuação, como fisioterapia dermato-funcional (estética), a profissão ganhou notoriedade quando começou a ser utilizada por famosos, grandes clubes esportivos e atletas de renome. "Casos como o do Ronaldinho e do apresentador Osmar Santos acabaram lançando holofotes para a profissão", diz Amélia.

O glamour da carreira está na área esportiva principalmente. O fisioterapeuta mais conhecido do país, Nilton Petroni, o Filé, já tratou atletas como Romário e Elber, o piloto Ayrton Senna e, com exclusividade, o atacante Ronaldo. Ele diz que "a fisioterapia é a profissão deste novo milênio. O envelhecimento da população e o recente hábito de fazer exercícios preventivos garantem um mercado de trabalho cada vez melhor".

Bons salários
Ganhar bem também atrai. Segundo o Sinfito (Sindicato de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de SP), o piso salarial no Estado de São Paulo é R$ 1.280,00 pelas seis horas de trabalho previstas em lei (dados de 2000). Com consultas domiciliares e o atendimento em consultórios particulares, um fisioterapeuta experiente pode alcançar uma remuneração de até R$ 6.000.

A Revista Isto É de 12/1/2000 traz interessante reportagem sobre o assunto. "A família de Andressa Fernandes de Almeida, 18 anos, sabe bem quanto custam os serviços de um fisioterapeuta. 'Já precisei bastante de fisioterapia por causa de um problema de coluna', conta ela. 'Além disso, há uns dois anos, minha avó sofreu um derrame e precisava de exercícios para recuperar os movimentos do lado esquerdo', explica. Para economizar os R$ 120 cobrados em média por uma consulta em casa, Andressa aprendeu com uma fisioterapeuta amiga da família como tratar a avó. 'Eu acabei gostando e resolvi prestar vestibular', conta".

Segundo a empresa Carci de aparelhos cirúrgicos e ortopédicos, uma potência no ramo, hoje temos de 65 a 70 mil profissionais no país. 63% estão concentrados na região sudeste, principalmente no estado de SP.

Auxiliares médicos
A atuação do fisioterapeuta se dá dentro da área da saúde, interagindo com equipes multiprofissionais. Isto é, esses profissionais desempenham tarefas de caráter terapêutico, reabilitador, preventivo e promocional, ou seja, em todos os níveis de atenção à saúde.

Detalhes do curso
A Fisioterapia, no conceito do COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), é uma ciência aplicada cujo objeto principal de estudo é o movimento humano.

Ela utiliza conhecimentos e recursos próprios com os quais, considerando as condições sociais psíquicas, físicas e mentais, busca promover, tratar e recuperar a saúde do cliente.

O Curso de Graduação em Fisioterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o mais antigo do Brasil, existe desde 1951.

Quem ingressa na USP para obter o título de Fisioterapeuta cumprirá 4.810 horas, período integral, devendo cursá-lo preferencialmente em 8 semestres e no máximo em 12 semestres.

O ensino prevê 4 ciclos: biológico, de formação geral, pré-profissionalizante e profissionalizante. Os ciclos biológico e de formação geral são ministrados por professores dos diferentes Departamentos da Universidade de São Paulo: Faculdade de Medicina; Faculdade de Saúde Pública; Escola de Enfermagem, Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas; e pelos Institutos de Ciências Biomédicas, Biologia, Química, Matemática e Psicologia.

Os ciclos pré-profissionalizante e profissionalizante são compostos por disciplinas específicas de Fisioterapia e são ministradas por docentes fisioterapeutas e incluem os seguintes conteúdos: introdução à fisioterapia; administração em fisioterapia; cinesiologia, métodos de avaliação clínica e funcional; fisioterapia geral (recursos e técnicas fisioterápicas), fisioterapia nas disfunções músculo-esqueléticas; neuromusculares e cárdio-respiratórias, fisioterapia preventiva e metodologia de pesquisa.

Nos dois últimos semestres o aluno realizará estágios supervisionados nas diferentes áreas de atuação da Fisioterapia e deverá realizar um trabalho de conclusão de curso sob forma de monografia.

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Profissões