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Este livro faz parte integrante da história
de nossa pequena cidade. Por que? Porque foi recebido com desprezo e preconceito
antes mesmo de ser escrito.
Depois de ter sido publicado, sem nenhum apoio oficial, é bom destacar,
provocou uma verdadeira "conquista do oeste" por parte da Prefeitura
e da sua Secretaria da Educação no sentido de que "precisavam
acabar com essa história de que sempre que se falava da história
do Taboão, se falava do Waldemar", frase que ouvi de uma grande
amiga. Naquele momento ficou claro pra mim qual era o objetivo. E eu,
sendo "fiel escudeiro" do WG no empreendimento pedregoso de
escrever um robusto livro sobre o surgimento, o desenvolvimento e a atualidade
de Taboão fui e sou solenemente ignorado, "cai da mudança",
reação esta que, para o Waldemar, já era previsível.
Depois de precisar vender O Pirajuçara e deixar de ser correspondente
do Estadão, a cidade lhe fechou as portas. Sempre chamado de "pai
da imprensa regional", foi completamente ignorado pelos seus dignos
"filhos" jornalistas ou donos de jornal. À exceção
da Gazeta do Taboão, onde eu trabalhava na ocasião, não
permitiram que se divulgasse o segundo livro (este), rejeitando, sem nenhuma
explicação lógica, até anúncios pagos
que quisemos colocar nos periódicos daqui.
Assim o Waldemar, que nunca foi de pedir licença pra ninguém
para sair fazendo o que achava certo, pegou o seu fusquinha com uma caixa
contendo os livros com as suas memórias, e saiu a vendê-las
aos amigos, conhecidos e admiradores. Este foi o primeiro caso conhecido
de um livro escrito por um pioneiro ser alvo de uma categórica
"resistência organizada", da parte de autoridades e segmentos
da sociedade de Taboão da Serra.
Demorou seis anos para ser incorporado à Biblioteca Municipal,
assim mesmo fizeram isso silenciosamente, para que os estudantes para
quem foi escrito, como o seu primeiro livro (Taboão da Serra sua
História e sua Gente, 1994) também foi, não aproveitassem
em sua plenitude a obra de Waldemar Gonçalves, um simples mas cuidadodo
alfaiate, admirador incondicional de Taboão, que, além de
catalogar e preservar nossa história, ainda nos ajudou a entender
melhor o que realmente somos.
José Sudaia Filho |