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TABOÃO DA SERRA NA VIRADA DO MILÊNIO; 2000, 302 páginas, cerca de 280 fotos,
edição do autor; organizado e redigido por José Sudaia Filho.


Este livro faz parte integrante da história de nossa pequena cidade. Por que? Porque foi recebido com desprezo e preconceito antes mesmo de ser escrito.

Depois de ter sido publicado, sem nenhum apoio oficial, é bom destacar, provocou uma verdadeira "conquista do oeste" por parte da Prefeitura e da sua Secretaria da Educação no sentido de que "precisavam acabar com essa história de que sempre que se falava da história do Taboão, se falava do Waldemar", frase que ouvi de uma grande amiga. Naquele momento ficou claro pra mim qual era o objetivo. E eu, sendo "fiel escudeiro" do WG no empreendimento pedregoso de escrever um robusto livro sobre o surgimento, o desenvolvimento e a atualidade de Taboão fui e sou solenemente ignorado, "cai da mudança", reação esta que, para o Waldemar, já era previsível. Depois de precisar vender O Pirajuçara e deixar de ser correspondente do Estadão, a cidade lhe fechou as portas. Sempre chamado de "pai da imprensa regional", foi completamente ignorado pelos seus dignos "filhos" jornalistas ou donos de jornal. À exceção da Gazeta do Taboão, onde eu trabalhava na ocasião, não permitiram que se divulgasse o segundo livro (este), rejeitando, sem nenhuma explicação lógica, até anúncios pagos que quisemos colocar nos periódicos daqui.

Assim o Waldemar, que nunca foi de pedir licença pra ninguém para sair fazendo o que achava certo, pegou o seu fusquinha com uma caixa contendo os livros com as suas memórias, e saiu a vendê-las aos amigos, conhecidos e admiradores. Este foi o primeiro caso conhecido de um livro escrito por um pioneiro ser alvo de uma categórica "resistência organizada", da parte de autoridades e segmentos da sociedade de Taboão da Serra.

Demorou seis anos para ser incorporado à Biblioteca Municipal, assim mesmo fizeram isso silenciosamente, para que os estudantes para quem foi escrito, como o seu primeiro livro (Taboão da Serra sua História e sua Gente, 1994) também foi, não aproveitassem em sua plenitude a obra de Waldemar Gonçalves, um simples mas cuidadodo alfaiate, admirador incondicional de Taboão, que, além de catalogar e preservar nossa história, ainda nos ajudou a entender melhor o que realmente somos.

José Sudaia Filho