Símbolos Municipais
TABOÃO ON LINE

Linha do Tempo | Página Principal | Aprenda a aprender | As profissões
Arquivo de Imagens | Leis | TOL recomenda | Periscópio
| Bibliografia do site

Envie sua mensagem ao editor.
© Direitos reservados Colégio São Lucas 2005
Este site apoia: o combate às drogas, a preservação do meio ambiente, a proteção do consumidor e a inclusão social.
Crônicas

A última reportagem..............A banda do maestro Álvaro.............Parque Ecológico da Fazenda Tizo
Jesuino Maciel.............Ailton Krenak............. Gildo Zampol................CEPIM de Dona Glorinha
Niasi Melhem Abdo.............Leo Baranowsky, João Clemente e projetos de desenvolvimento

Nelson de Oliveira Moraes concedeu esta entrevista ao TOL em sua imobiliária na Praça Nicola Viviléchio. Dinâmico aos 70 anos de idade, está à frente dos negócios mesmo após sofrer amputação de suas pernas devido a complicações de diabetes. Na prateleira, as máquinas de escrever que teve e hoje foram substituídas pelo computador e a foto em que aparece ladeado pelos 3 netos adolescentes. Enquanto mostrava a pasta de recortes de todos os jornais da cidade que noticiaram sua eleição para a presidência do Rotary Club em 1987, foi falando dos fatos da cidade dos quais participou e estão vivos em sua memória.

Casa nova
Um pouco chateado por ter tido de se mudar do prédio onde, por 30 anos, trabalhou com sua imobiliária, prédio este vendido ao Supermercado Extra, diz que está enfrentando com coragem a mudança em todo caso boa para o progresso da cidade. A Empreg, empresa de recrutamento e seleção de pessoal dirigida por sua mulher e filha veio junto.

Taboão nem era Taboão
Seo Nelson nasceu no Taboão no tempo em que Taboão nem era Taboão. Foi em 1935. Seu pai era José André de Moraes, o Zeca da Venda, um dos pioneiros e fundadores da cidade. Seus avós também viveram aqui. A casa do Seo Zeca ficava onde hoje fica a Faculdade, no Largo do Taboão. Taboão não era nada. Tinha a igreja de Santa Terezinha, uma escola e uma bomba de gasolina. Mas nada. Foi nessa escolinha que Seo Nelson estudou. O primeiro ônibus da empresa do Sr. Guerra era dirigido pelo Sr. Altino e o primeiro motorista de taxi era o Sr. Adão Moraes de Oliveira, seu tio.

Calhambeque Ford 29
Seo Zeca, conta seu filho, vinha do Embu em carro de boi, entregar carvão no Largo de Pinheiros. Mais tarde, já na era do automóvel, na ponte de madeira que existia na R. João Santucci, altura onde é hoje o Hospital Family, quantas vezes Seo Zeca não ficou atolado com seu calhambeque Ford 29! Como se vê, Seo Zeca e Seo Adão estão ligados também à história dos transportes na cidade.

O Seo Adão é o cavalheiro que aparece em diversas fotos frente ao casarão que ficava no Largo, no entroncamento da BR-116 com a Estrada do Campo Limpo, ao lado da primeira bomba de gasolina que apareceu por estas bandas. Sua esposa, Dona Catarina, ainda hoje ajuda a missa no Santuário de Santa Terezinha.

O Cristo mudou o nome do Morro
O Cristo Redentor, uma estátua que se tornou símbolo de Taboão (mas que existe em várias outras cidades de origem e fé católica como a nossa) é obra diretamente realizada pelos nossos pioneiros. Datada da época da instalação do município, em sua base está encerrado um livro de assinaturas com todos que contribuiram para sua construção. Seo Nelson lembra de vários além de, é claro, o seu pai José André de Moraes. Estão lá os nomes de Sebastião da Cunha, José Severino Marques Filho, Álvaro Manoel de Oliveira, José Ruiz Moreno, José Domingues de Moraes Filho, Antonio Inácio Maciel, Marie Rose Maciel, Leo Baranowski e diversos outros dos quais não se recorda.

Seo Juca e o Cine Tupy
A sessão solene de posse dos primeiros dirigentes municipais foi no Cine Tupy, no Largo do Taboão, que pertencia a José Severino Marques Filho, conhecido como Seo Juca, sogro do Seo Nelson. Houve ainda a missa solene celebrada pelo Padre Carlos Spagnol. Seo Nelson havia sido coroinha e o seu casamento com Dona Raquel Marques foi em 1o. de junho de 1961, o primeiro casamento acontecido após a emancipação.

A primeira escola era na Igreja
Dona Raquel foi a primeira professora da escola que funcionava contígua à igreja a residir em Taboão da Serra, antes dela as professoras vinham de fora como a primeira professora, Maria José Montemor, que morava em São Paulo. Era uma escolinha de madeira com quatro salas. Dona Raquel lecionou 33 anos lá até que a escola foi transferida para o novo colégio no Jardim Maria Rosa, obra de Dona Laurita. Por ali passaram pessoas como Orlandino (depois vereador e presidente da Câmara), Ricardo Andrade, as filhas do prefeito Ary Dáu e o filho do juiz Pupo Nogueira, que tinha chácara no centro de Taboão.

Pronto-Socorro da ambulância
Seo Juca que tinha oficina mecânica com Seo José Ruiz Moreno e, como a prefeitura não tinha dinheiro, fazia a manutenção das ambulâncias e caminhões sem cobrar a mão-de-obra. Quantas vezes não vinham buscar Seo Juca para socorrer a ambulância, quer dizer, fazê-la funcionar para que pudesse levar algum doente grave ao Pronto-socorro do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

No início a administração era muito pobre
A prefeitura e a câmara eram muito pobres no início. Funcionavam num sobrado alugado na Rua Getúlio Vargas. Tinha poucos funcionários. Levy de Souza e Silva chefiava poucas pessoas dentre as quais o jovem advogado Eduardo Aranha e Walter Belique, colega do prefeito Nicola no Instituto Pinheiros.

A casa do Seo Nelson e as propriedades do Moraes ocupavam todo o Largo do Taboão, envolvendo a área onde hoje está o Supermercado Extra e adjacências. Tinham cavalos, seu pai teve um açougue e a primeira sorveteria de Taboão. Era também dele o primeiro matadouro da região.

Sansão e Dalila
O Cine Tupy, famoso cinema tão ligado à vida e ao imaginário da cidade, teve sua inauguração com o filme Sansão e Dalila, em preto e branco, mas já do cinema falado. Fechou porque um empresário interessado em abrir uma concessionária Volkswagen fez uma oferta irrecusável ao Sr. Severino. Como naquele tempo cinemas do interior não eram boas fontes de renda (inúmeros cinemas da capital de São Paulo viraram estacionamentos ou igrejas evangélicas por não renderem muito em suas bilheterias), o nosso Cine Tupy fechou as portas.

A mãe de Seo Nelson, Dona Catarina Moraes de Oliveira, foi quem presenteou Seo Zeca com a pitangueira que viria a se tornar a árvore-símbolo da cidade. Era costume fazer isso naqueles tempos em que nossa cultura era uma cultura de chacareiros e sitiantes, muito ligados às plantas e à Natureza. Hoje a pitangueira ainda está forte e viçosa no pátio do Santuário representando, apesar de não dar mais frutos, os sentimentos que motivaram este gesto carinhoso do casal. As jaboticabeiras que ficavam no quintal dos Moraes ainda estão preservadas nos estacionamentos da Faculdade Taboão.

O primeiro banco, Banco da Bahia
Como corretor, Seo Nelson participou da negociação dos terrenos onde viriam a se instalar diversos bancos na cidade. Mas o primeiro se instalou num prédio já existente. Foi o Banco da Bahia, na esquina da Rua Getúlio Vargas, área nobre (naquela época) no Largo do Taboão. Depois vieram Bamerindus, Caixa Econômica, Unibanco etc.

Enchentes, as piores em 1975
Nesse tempo as enchentes não eram tão devastadoras, eram um contratempo que as pessoas suportavam até com folclórico bom humor. As águas eram límpidas, quando baixavam conta-se que podiam ser encontrados peixes vivos dentro das panelas. Depois vieram o asfalto, a poluição, a sujeira por toda parte. As piores enchentes (umas três ou quatro) que Seo Nelson enfrentou foi em 75/76 quando sua família morava na R. Getúlio Vargas. Hoje, com o piscinão, a coisa parecia que ia melhorar mas não melhorou. As águas do Pirajuçara chegam em grande volume e são represadas no piscinão, antes as águas escorriam mais rapidamente, as enchentes não eram tão grandes nem a água tão suja.

Prazer de ver a cidade cada vez mais bonita
Seo Nelson conheceu todos os prefeitos e diz que foram todos pessoas que respeitaram muito sua família e eram muito amigos dos Moraes que, muitas vezes, eram homenageados nos desfiles cívicos do aniversário de nossa Emancipação e Sete de Setembro. Não foi lembrado para o título de cidadão taboanense mas seu grande prazer é ver a cidade cada vez mais bonita. Porque as pessoas que construiram Taboão fizeram isso porque gostavam realmente da terra, queriam fazer uma cidade com trabalho (os taboanenses sempre foram batalhadores) e amor (estimavam muito este pedaço de chão).

Entrevista

Nesta tira de quadrinhos que publiquei na Gazeta do Taboão, os personagens prestam sua homenagem ao Seo Zéca, tirando o chapéu para ele. A tira chamava-se "Sabiá" uma referência à música do Chico e do Tom mas também porque Seo Quincas e Seo Cabral, personagens centrais, cantavam versos para os taboanenses ilustres que já haviam deixado este mundo. (José Sudaia Filho)

-

HOME 1a ed. 2006
HOME 2a ed. 2007
HOME 3a ed. 2008
HOME atual 2009