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AOS
NOVOS JORNALISTAS
Renato
Modernell
Despeço-me,
um a um, dos novos jornalistas
que logo vão sair da faculdade com um diploma na mão e uma
idéia na cabeça: vencer na vida. Daqui a algum tempo vão
começar a nos contar como é o mundo lá fora. A nós,
que estamos aqui dentro.
Dentro do quê?
Dentro da nossa esperança. Alguns desses jovens (poucos) gostariam
de cobrir uma guerra, como eu também quis na juventude, mas não
deu; outros (muitos) sonham com uma copa do mundo; e os pragmáticos
se acomodarão de bom grado em assessorias de imprensa.
Esses jovens de hoje são tão diferentes de nós, os
Sgt. Pepper's de outrora, e no entanto tão iguais. Jornalista ainda
quer mudar o mundo. Tento dizer-lhes que isso é, ao mesmo tempo,
possível e impossível. Mas só entenderão mais
tarde, pelo espelho retrovisor.
No meu retrovisor, agora, vejo o rosto de Ernest Hemingway. Jornalistas
da velha guarda sonhavam escrever como ele, prêmio Nobel, e sobretudo
viver como ele, globe-trotter. Batalhas, touradas, e depois encher a cara
entre belas mulheres no Harry's Bar.
Hemingway sentenciou: "O jornalismo pode ser uma excelente profissão,
desde que abandonada a tempo". Idéia cínica? Não
creio. O fato de se encarar o jornalismo como atividade transitória
não o desmerece, mas o qualifica.
Amsterdã é uma cidade fascinante porque seus habitantes
temporários são a maioria esmagadora da população.
As pessoas trazem dentro de si o pressuposto de que aquilo ali é
por certo tempo. Amsterdã é um laboratório.
O jornalismo também é. Ou pode ser. Nele, aprende-se coisas
preciosas que mais tarde podem fazer a diferença em qualquer outra
profissão. Primeiro, a captar tendências. Segundo, a desenvolver
algo que chamarei de "instinto transversal". Terceiro, a lidar
com a insegurança. E ela é o tango que se dança no
mundo de hoje.
Recomendo aos jovens a leitura de The wisdom of insecurity, de Alan Watts,
guru da contracultura. Uma antiga tradução brasileira talvez
possa ser garimpada em sebos. Enquanto buscam esse livro raro, talvez
impossível, sei lá, terão de se mover pelas ruas
de São Paulo de olhos bem abertos. E então, sem sentir,
vão aprender sozinhos a separar o joio do trigo.
(Crônica
reproduzida com a autorização do autor. Conheça mais
sobre o jornalista e escritor Renato Modernell no blogue http://renatomodernell.blogspot.com/
que leva o nome de IDÉIAS & ADJAZZSCÊNCIAS)
São
Paulo sem outdoors
Júlio
E. Bahr
A falta
de regulamentação da Comunicação Visual Exterior
em São Paulo provocou tal poluição visual na cidade,
que a maioria dos paulistanos passou a se sentir incomodada.
Por isso, o atual prefeito apresentou à Câmara dos Vereadores
o Projeto de Lei No. 379/06 (em 2006) que propunha a “ordenação
dos elementos que compõem a paisagem urbana da cidade”.
O projeto foi aprovado e colocado em ação neste ano de 2007.
Foi dado um prazo para que toda comunicação irregular fosse
retirada, sob pena de as empresas sofrerem pesadas multas, acrescidas
a cada novo dia de exibição irregular.
O resultado mostra uma nova cidade, muito mais bonita, com suas áreas
verdes em destaque, as ruas mais limpas, a arquitetura dos velhos casarões
antes cobertos por painéis, cartazes, outdoors e placas, sendo
reveladas e surpreendendo as pessoas.
A normatização da Comunicação Visual em São
Paulo obriga as agências de propaganda e seus fornecedores a cumprirem
as determinações da Prefeitura, exercitando sua criatividade
e buscando através de nova estética visual a eficiência
na comunicação.
Centro de Londrina
Londrina está caminhando a passos largos na direção
errada. Se a Prefeitura não agir rapidamente, a cidade estará
sofrendo os mesmos impactos negativos da poluição visual
de que São Paulo acaba de se livrar.
Ruim para a cidade, ruim para a população.
(Crônica
reproduzida com a autorização do autor. Conheça mais
sobre o publicitário e escritor Júlio E. Bahr visitando
o seu blogue http://bahr-baridades.blogspot.com/.
Júlio mora, trabalha e observa o mundo de Londrina, Paraná)
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